Pesquisar este blog

Carregando...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Os Pobres na Estação Rodoviária


Ledo Ivo


Os pobres viajam, Na estação rodoviária
eles alteiam os pescoços como gansos para olhar
os letreiros dos ônibus. E seus olhares
são de quem teme perder alguma coisa:
a mala que guarda um rádio de pilha e um casaco

que tem a cor do frio num dia sem sonhos,
o sanduíche de mortadela no fundo da sacola,
e o sol de subúrbio e poeira além dos viadutos.
Entre o rumor dos alto-falantes e o arquejo dos ônibus
eles temem perder a própria viagem
escondida no névoa dos horários.
Os que dormitam nos bancos acordam assustados,
embora os pesadelos sejam um privilégio
dos que abastecem os ouvidos e o tédio dos psicanalistas
em consultórios assépticos como o algodão que
tapa o nariz dos mortos.
Nas filas os pobres assumem um ar grave
que une temor, impaciência e submissão.
Como os pobres são grotescos! E como os seus odores
nos incomodam mesmo à distância!
E não têm a noção das conveniências, não sabem
portar-se em público.
O dedo sujo de nicotina esfrega o olho irritado
que do sonho reteve apenas a remela.
Do seio caído e túrgido um filete de leite
escorre para a pequena boca habituada ao choro.
Na plataforma eles vão o vêm, saltam e seguram
malas e embrulhos,
fazem perguntas descabidos nos guichês, sussurram
palavras misteriosas
e contemplam os capas das revistas com o ar espantado
de quem não sabe o caminho do salão da vida.
Por que esse ir e vir? E essas roupas espalhafatosas,
esses amarelos de azeite de dendê que doem
na vista delicada
do viajante obrigado a suportar tantos cheiros incômodos,
e esses vermelhos contundentes de feira e mafuá?
Os pobres não sabem viajar nem sabem vestir-se.
Tampouco sabem morar: não têm noção do conforto
embora alguns deles possuam até televisão.
Na verdade os pobres não sabem nem morrer.
(Têm quase sempre uma morte feia e deselegante.)
E em qualquer lugar do mundo eles incomodam,
viajantes importunos que ocupam os nossos
lugares mesmo quando estamos sentados e eles viajam de pé.



Poeta, romancista e ensaísta, Lêdo Ivo nasceu em Maceió, Alagoas, em 1924.Pertence à Academia Brasileira de Letras, para a qual foi eleito por unanimidade, e é Comendador da ordem do Rio Branco e oficial da ordem do Mérito Militar. Leia mais sobre Lêdo Ivo.

Linhas e linhas

Há linhas  e linhas, curvas ou retas, paralelas  ou  convergentes, mas  há  linhas e  linhas...

Qual sua  linha ?







Ego agasalhante


Agasalho Sentimental.


Com  a  alma  flanando por ai, lemos umas  expressões  mega interessantes: " agasalho humano" e  "ortopedia sentimental ". Bom, agasalho humano até parece cobertor de orelha  ou  pode lembrar  também as  sempre  presentes  campanhas  do agasalho. "Doe um agasalho humano ! " ou  " Doe-se, agasalho humano !"  ou  ainda "Doe-se agasalho, humano !"  Ou  quem  sabe um agasalho humano que se  dói, pelo frio  das  almas  também  humanas, talvez....
Ortopedia sentimental, bem, talvez seja  um engessar de  sentimentos e  relações ou  ainda  quem  sabe  uma  tentativa de remendar  o  osso  duro  dos sentimentos que não  queremos  roer.
Como  saber, na  verdade, como o  agasalho  humano  ficou perdido no  banco  da  sala de  espera da  clínica de  Ortopedia Sentimental ?

ortopedia de gênero




Ele: Você acredita no  amor, na  dor, no  furor, no vapor?

Ela: no ferro  a  vapor?



( eu )

sexta-feira, 13 de maio de 2011

memorabilis das expressões faciais


Eram cinco mulheres, agora são seis. Explico, como eu também estou locado e plasmado nessa sala, criei uma entidade, à imagem e semelhantes das divas, que pode sintetiza-las. Inspirei-me nos sies elementos existentes no campo real e no irreal - fogo, terra, agua, ar, TPM e maluquice. Deponho que as minhas expressões viraram finas linhas.